
Marcel chegou ao barco, olhos azuis e cheios de surpresa e assombro. olhos famintos, ávidos, desprotegidos. Sobre a expressão inocente e absorta, caíam grossas sombrancelhas, selvagens como a de um camponês. A pele era frágil, o nariz e a boca, vulneráveis e transparentes. Mãos delicadas, os dedos longos e ternos não deixavam de denunciavam sua força. No seu discurso era a loucura que predominava, a compulsão para analisar. Tudo o que lhe acontecia, tudo o que caía em suas mãos, cada hora do seu dia, tudo era constantemente comentado, desmontado em mil pedaços. Ele não podia beijar, desejar, possuir, desfrutar, sem uma prévia análise. Planejava seus movimentos com auxílio da astrologia. Com frequencia se deparava com o maravilhoso, e tinha mesmo um certo dom para evocá-lo. Mas assim que isso acontecia, Marcel o agarrava com a violência de quem estav incerto de te-lo visto ou ouvido, de quem desejava transformá-lo em realidade. Gostei do seu jeito amável e vulnerável que lembrava um animal suave. Ele parecia então não ter mágoas, andava com uma bolsa cheia de anotações, programas, livros novos, achados, talismãs, perfumes, fotografias. A impressão que dava era de estar flutuando, como um barco sem amarras. Ele perambulava vagava, explorava, visitava os loucos, consultava horóscopos, reunia informaçoes esotéricas, colecionava plnatas e pedras.
- Em tudo existe uma perfeição que não pode ser possuída- dizia.
Anaïs Nin
Um comentário:
que post lindo raquel.
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