quinta-feira, 18 de junho de 2009

ARTAUD-PELE ( POEMA POR HENRIKQ AESHNA )


ARTAUD-PELE


"Artaud-pele
Artaud-peste
Artaud-momo-enlouquecido
sufocado pela camisa-de-força-linguagem
palavra-morte
palavra-prisão

Artaud-grito
nervo
crisálida ensangüentada
corpo no vazio
de insinuantes auroras
de insetos
brotando da noite ( mundo dos mortos )
da carne em sofrimento
aurora-êxtase-serpente
mantém ainda
o seu sol negro
a sua revolta
transcorporificada
em bandeira, sombra prenhe de chuva,
bolha de sonho flutuando no mundo real

eis a dança, o gesto supremo:
um grito que come a própria língua
por não poder mais gritar nem aplacar sua chaga e sede metafísicas
grito que devora o próprio grito
grito sufocado devorando o próprio corpo que o exaure, que o ex-pele
serpente largada de sua pele-de-noite
a carne gritando suas correntes
parto rasgado
vagido sangrento de arame farpado
mãe morta no parto

A ARTE ( VIDA ) NO LIMITE DO DESPEDAÇAMENTO,
DA TRITURAÇÃO
E mesmo assim
Se refunde,
Como uma muralha de ossos
Erguendo-se das ruínas
Após o hecatombe
Artaud-morto
Artaud-sopro
Artaud-outro"

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