quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Uma linda Utopia


"Sob a magia do dionísiaco torna a selar-se não apenas o laço de pessoa a pessoa, mas também a natrureza alheada, inamistosa ou subjugada volta a celebrar a festa de reconciliação com seu filho perdido, o homem. Espontaneamente oferece a terra as suas dádivas e pacificamente se achegam as feras da montanha e do deserto. O carro de dionísio está coberto de flores e de grinaldas: sob o seu julgo avançam o tigre e a pantera. Se se transmuta em pintura o jubiloso hino beethoveniano a "Alegria" e se não se refreia a força de imaginação, quando milhões de seres freementes se espojam em pó, então é possível acercar-se do dionisíaco. Agora o escravo é homem livre, agora se rompe todas as rígidas e hostis delimitaçãoes que a necessidade, a arbitrariedade ou a moda "impudente" estabeleceram entre os homens. Agora, graças ao evangélio da harmonia universal, cada qual se sente não só unificado, conciliado, fundido com o seu próximo, mas um só, como se o véu Maia tivesse sido rasgado e, reduzido a tiras esvoaçasse diante do Uno-primordial. Cantando e dançando manifesta-se o homem como membro de uma comunidade superior: ele desaprendeu a andar e a falar, e está a ponto de, dançando, sair voando pelos ares. (...) O homem não é mais artista, tornou-se obra de arte, a força artística de toda a natureza..."

"O Nascimento da Tragédia"

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