
É impressionante como nos apegamos em algumas lembranças e nos agarramos com tanta, tanta força que parece enforcar as doçuras e as pessoas que existem nelas ... Eu me lembro bem, e foi você que me deu o sorriso mais nervoso, o mais doce também.
Quando você chegou, lembra? Eu fui a primeira pessoa da qual você se aproximou. E hoje eu to aqui, escutando The Dresden Dolls repetindo a música Boston e não paro de pensar em você. Oh! haha ... Nos enxergávamos com tanta nitidez! Apesar de você nunca me olhar por muito tempo quando conversávamos. Nem sei se eu merecia, no começo eu mal sabia o quanto você era grande, apesar de você ser o emo mais magrelo que eu conheci. Nunca vou me esquecer, chegou tão quetinho com o cabelo todo sujo - você dizia que seu cabelo ficava mais bonito sujo, lembra? Eu vivia te apurrinhando pra você lavar. Eu implicava com você. Foi por isso que você passou a me chamar de mãe? -, não demorou muito para que todos caíssem de admiração por você. E não só por você ter passado em primeiro lugar no vestibular e ser o mais criativo e ter um puta de um artista aí dentro e ter o gosto mais refinado e etc etc etc ... Mas por ter esse olhar suspenso como se a qualquer momento todas suas invenções se transmutassem em realidade. Invenções que ninguém pode suspeitar. Eu tenho a impressão de você ter escolhido viver sozinho no cume do lugar mais alto deixando aquela chuva fina cair no silêncio, colhendo dúvidas, parafrasiando sonhos, estremecendo suas músicas prediletas. Vendo tudo isso de longe.
Mãe mãe ... eu sei que eu adorava fazer macarrão às 4 horas da manhã pra gente depois de uma noite de trashera, arrumar toda a mesa e matar aquela larica antes de dormir e depois pedir pra você deitar no meu colo. E você nunca se esqueceu disso. Mas sem dúvidas foi você que me ensinou muito mais. Engraçado ... tão pouco tempo de convivência, e bastou para que você ficasse cravado com unhas e dentes no mundo todo. Seu Nietzscheano filho da mãe! Foi você que me ensinou a gostar de Placebo - e não tem uma vez que eu escute e não lembre de você - aquele termo "brisar" e de como podia ser especial ficar deitado a tarde toda na UEL brisando e passando fome. Só conversando. Porque a gente se corta com as mesmas coisas ...
Sabe o que eu mais gosto em você? Que qualquer coisa pode se tornar muito especial. Divertido. Saudades das nossas dancinhas Debbie Harry !
Um comentário:
PALAVRAS NUNCA VISTAS! Q INVEJA DELE!
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