terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Obstinada às 5 da manhã:

Difícil é manter a cabeça controlada por pequenas e calorosas porções de preces bem improvisadas. São essas imposições do verão, desse verão úmido e intolerante, que te roem em incertezas. Pede pra essas criatudas horrendas pararem de encarar com esses olhos fúnebres de velha decadente fumando aquele cigarro fedido, apertando a piteira com os dedos enrugados e com o copo de whisky falsificado já há meia hora esperando a proxima dose. Como numa procissão suas vozes desfilam me cercando assim, de forma rígida, numa sucessão de absurdos imcompletos. Sai das minhas costas e bate logo na minha cara, porra! E você pegue essa flor venenosa e chupa com lascívia o caule amargo. Sem medo. Mostra suas vinte faces escondidas trancadas a sete cadeados blindados. Chega de barulho mostra um pouco mais de silêncio e use suas artimanhas. E ame. Ame em vigília e de maneira notável. Devastando tudo.
Raquel Palma

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