quarta-feira, 20 de maio de 2009

Vastas correspondâncias entre os sensível e o espiritual

" A natureza é um templo em que vivas pilastras
Deixam sair ás vezes obscuras palavras;
O homem a percorre através de florestas de símbolos
Que o observam com olhares familiares.

Como longos ecos que de longe se confundem
Numa tenebrosa e profunda unidade,
Vasta como a noite e a claridade,
Os perfumes, as cores e os sons se correspondem.

Há perfumes saudáveis como carnes de crianças,
Doces como os aboés, verdes como as campinas,
- e outros, corrompidos, ricos e triunfantes,

Tendo a efusão das coisas infinitas,
Como o âmbar, o almíscar, o benjoim e o incenso
que cantam os êxtases do espírito e dos sentidos."


...

"E agora, de corpo inteiro, sinto uma dessas impressões felizes que quase todos os homens imaginativos sentiram, pelo sonho, durante o sono. Eu me sentia livre das sensações do peso, e reencontrava pela lembrança a extraordinária volúpia que circula nos píncaros. Assim eu me pintava involuntariamente o estado de um homem tomado por um grande devaneio, numa solidão absurda, mas numa solidão com um imenso horizonte e uma ampla luz e difusa, a imensidão sem outro cenário que ela própria"


Baudelaire

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